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Blog do Murillo de Aragão

24/02/2008 20h10m

Árbitro também merece faixa de bicampeão


Curiosamente, o árbitro Marcelo de Lima Henrique, que apitou  a final da Taça Guanabara no Maracanã entre Flamengo e Madureira no ano passado foi o mesmo que apitou ? mediante sorteio ? a decisão da Taça Guanabara este ano entre o  Flamengo e o Botafogo.

 

Considerando a escola de sacanagem que é o futebol carioca, um sorteio que repete o mesmo árbitro para a decisão onde o mesmo Flamengo participa é, no mínimo,  suspeito.

 

O Botafogo, incompetente como sempre, não reclama. Aceitou o juiz e terminou garfado por uma arbitragem confusa e injusta.

  

O árbitro, que agora pertence ao quadro da FIFA,  foi assaltado em Venda das Pedras, Itaboraí no ano passado antes da decisão.

 

Tudo foi roubado, menos o uniforme para a decisão do ano passado entre Flamengo e Madureira.

 

Na decisão da Taça Guanabara deste ano quem foi roubado não foi o árbitro.   

 

A ficha corrida do cidadão é extensa.

 

O árbitro deste fim de semana foi o mesmo que se envolveu no nebuloso episódio da vitória do Bangú por WO contra o Bonsucesso.  

 

O Bangu foi a Rua Teixeira de Castro enfrentar o Bonsucesso em partida válida pela 3ª rodada do returno da 1ª fase do Campeonato Carioca da Segunda Divisão.

 

Uma irregularidade com os médicos impossibilitou que o jogo fosse realizado, gerando a perda da partida por WO a favor do time visitante.

 

O problema aconteceu porque o árbitro Marcelo de Lima Henrique não aceitou a carteira de trabalho em substituição ao documento do Conselho de Enfermagem e cancelou o jogo.

 

Ou seja, estavam presentes médico e enfermeiros como manda a lei.

 

Contrariando o árbitro, a Federação decidiu remarcar o jogo em que o Bonsucesso foi declarado perdedor por WO.

 

No ano passado, o técnico Emerson Leão, então no Atlético Mineiro, foi julgado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) por manifestar-se de forma desrespeitosa contra o mesmo árbitro. 

 

Leão teria feito gestos simbolizando que o Atlético-MG foi "roubado" pelo árbitro Marcelo de Lima Henrique na derrota por 2 a 1 para o Palmeiras.  Leão foi absolvido. 

 

Ainda no ano passado, o mesmo árbitro impediu que o Sport vencesse o Atlético Paranaense em Curitiba ao deixar de marcar um pênalti claro contra o time da casa no final do jogo. O fato revoltou os pernambucanos.

 

Os equívocos do árbitro vêm de longe. Por exemplo, em 2004, o Jornal dos Sports deu a seguinte manchete: ?apito amigo ajuda a nau?. Referia-se à vitória garfada do Vasco contra o Bangu. Adivinhem quem apitou?

 

Também no ano passado, o Fluminense foi premiado pelo árbitro na derrota para o Americano: dois pênaltis não marcados. Lá em Moça Bonita.

 

Aceitando um árbitro como ele  é querer perder o jogo antes de começar.

 

Lamentavelmente, o referido recebeu na semana passada o símbolo da FIFA. Hoje ostentou orgulhosamente o emblema no uniforme.  A FIFA já escolheu melhor os seus árbitros. 

 

Kleber Leite, que conhece todas os escaninhos e esgotos do futebol carioca disse, ao Jornal dos Sports, antes da decisão deste domingo: "confiamos no árbitro".

 

Ele estava coberto de razão. Na decisão no ano passado, o árbitro comemorou ao final da partida.

 

Desta vez, não posso afirmar com certeza, ele deve ter sido mais discreto.

 

O presidente do Botafogo, Bebeto de Freitas, anunciou ao final do jogo contra o Flamengo que está deixando a presidência do Clube.

 

O dirigente se mostrava inconformado com a atuação do árbitro na derrota que valeu ao Flamengo o bicampeonato da Taça Guanabara.

"Estou aqui há seis anos e a gente cansa. Hoje é meu último dia como presidente do Botafogo. O clube estava despedaçado, estamos trabalhando, reerguemos o clube, mas é difícil. Aqui no Rio só impera quem não quer que o futebol cresça. É fácil dizer que o jogador do Botafogo é "quase", que o jogador do Botafogo perde a cabeça. Eu já dei muito para o Botafogo e agora é preciso que entre alguém aqui. Agradeço a torcida, mas não dá mais. Obrigado", falou.

 

Bebeto, apesar de bem intencionado, é um amador. Deveria ter protegido o Botafogo das maracutaias de sempre. Sabia que ele tinha apitado a outra final. Sabia que ele tinha comemorado ao final do jogo.

 

Enfim, vacilou em aceitar o dito cujo.

 

Em tempo, deveriam fazer uma faixa especial de bicampeão da Taça Guanabara para o juiz.  





 
Murillo de Aragão Blog do cientista político Murillo de Aragão, presidente da Arko Advice Pesquisas (www.arkoadvice.com.br). Mestre em ciência política e doutor em sociologia (estudos latino-americanos) pela Universidade de Brasília. Escreve sobre análise estratégica e crítica política direto de Brasília, leia mais.
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